Juízo, Ronaldo

May 11th, 2008

Se Ronaldo colocar a cabeça no lugar e se isso for verdade, ele pode dar a volta por cima, tal qual Bill Clinton, naquele caso Monica Lewinsky. Guardadas as devidas proporções, claro.

A mocinha, se gostar mesmo dele, vai perdoá-lo. E eu sinceramente espero que ela goste dele de verdade e que ela o perdoe. Mas, antes de tudo isso, tomara mesmo que a notícia da gravidez seja real, para o amor e o perdão serem consequência.

Também seria legal pra caramba ver o Ronaldo voltar a jogar futebol. E jogar bem, é claro. Mas talvez o melhor fosse ele parar mesmo, cuidar da vida dele, ser um pouco mais discreto e criar juízo, pelo amor de Deus. Não dá pra entender como um cara como ele foi fazer uma burrada dessas.

“Ah, ele tava chapadão”, vão dizer. Mas o erro começa aí. Pra que ficar chapadão, se é mesmo que ele estava? Eu fico sem entender como algumas pessoas insistem nesses erros bobos. Lembro dos meus 16, 17 e 18 anos, quando saía com os amigos pra beber e quase sempre chegava em casa ultra-bêbado. Hoje eu olho pra trás, dou muita risada, mas às vezes me pergunto pra quê fiz tudo aquilo. Mas eu era novo, estava descobrindo uma porção de coisas, dá pra perdoar. Mas o Ronaldo, um cara que já deve conhecido quase tudo nessa vida? Ele não precisa mais disso, de badalação. Ele tem que procurar paz e tranquilidade.

Juízo, Ronaldo, pelo amor de Deus.


Sim, eu mesmo

May 11th, 2008

“Não é você que é alguma coisa do Digestivo Cultural?”

Foi perguntando mais ou menos assim que a Amábile me abordou na livraria ontem (sábado). Depois daqueles segundos de “choque”, eu respondi algo do tipo “sim, sou eu mesmo”, e logo depois perguntei como ela sabia que era eu. A Amábile disse então que havia lido um texto meu e visto que eu sou de Feira de Santana. Depois, veio aqui no blog, ficou sabendo que sou editor-assistente do Digestivo e viu uma foto minha. O resto é história.

Foi engraçado. Mas um pouco estranho, também. Se eu não quisesse ganhar o Pulitzer, eu tiraria minha foto do blog, cancelaria o Orkut e começaria a assinar com um pseudônimo. Mas, como meu plano é dominar o mundo, não posso me dar esse luxo.

Bom saber que mais alguém aqui na cidade (além de alguns amigos meus e minha bem-amada) conhece o Digestivo. Sério mesmo. Pena que não são muitas. Mas enfim, o mundo não é perfeito.

E eu não contei ainda nenhuma história da livraria. Mas em breve escrevo um post sobre esses dias lá. Vou deixar só um aperitivo: me perguntaram um dia desses pelo livro “O empinador de pipas”. Custou segurar o riso, mas consegui. Ao menos até me despedir da senhora.

Last but not least: Amábile, me perdoe por não ter conversado mais com você. A correria é grande e o emprego é novo hehehe Se você tiver MSN, me passa por email, valeu?


O lobby da cerveja

May 10th, 2008

Estou tão por fora das coisas que nem sabia desse projeto para proibir propaganda de cervejas e bebidas alcóolicas no horário das 06:00 às 21:00.

É uma idéia válida, claro. Mas isso mostra duas coisas:

1) A liberdade, seja ela qual for, não é total. Nunca é. Sempre há limitações. Em certos casos, isso é bom. Em outros, não.

2) O povo brasileiro deve ser muito facinho de enganar. Primeiro foi o cigarro, agora a bebida alcóolica. Daqui a algum tempo não veremos mais propagandas de, sei lá, Baygon, só porque ele não presta.

O link acima, que repito aqui, também mostra outra coisa: se políticos aceitaram verbas de cervejarias - não tenho nada contra isso, não há ilegalidade nenhuma, aparentemente -, que vendem drogas lícitas, imaginem o que eles não devem aceitar de quem vende drogas ilícitas…


10 livros em questão

May 8th, 2008

As perguntas são do Zero Hora, lá de Porto Alegre. Ninguém me perguntou nada, foi o Julio que mandou o link para a lista do Digestivo. Como estou sem tempo de bolar um post melhor, resolvi aproveitar esse “questionário”.

1 - Qual o seu começo de livro inesquecível?
Sou péssimo pra gravar trechos de obras. Não lembro de nenhum de cabeça.

2 - Qual foi o livro da sua infância?
Um que, pra provar a afirmação anterior, não lembro o nome. Sei que tinha histórias populares européias, era grande, de capa dura e lilás.

3 - Qual o livro que mais o perturbou?
“Ratos e homens”, de John Steinbeck.

4 - Qual o livro que você mais releu?
“O encontro marcado”, de Fernando Sabino.

5 - Que livro considerado clássico você abandonou antes do fim?
Ã… Não lembro.

6 - Que livro você acredita que deveria ser conhecido por um maior número de leitores e não é?
Poderia citar vários. Mas vamos lá: “A coleira no pescoço”, de Menalton Braff.

7 - Cite um título de livro inesquecível
“As solas do sol”, de Fabrício Carpinejar. Se não me engano, o primeiro livro que tomei emprestado da biblioteca da UEFS.

8 - Que livro prometia uma coisa pelo título e, ao ler, você percebeu que era outra coisa?
“Valsa negra”, de Patrícia Melo.

9 - Que livro você gostaria de ter escrito?
“O encontro marcado”, de Fernando Sabino.

10 - Que livro você está lendo agora?
“O livro das vidas”, uma coletânea de obituários do NY Times, organizado por Matinas Suzuki Jr.


Emprego novo (vida nova?)

May 7th, 2008

O plano era parar de trabalhar aqui na cidade e me dedicar mais à literatura. Mas a vida, meus amigos, assim como o futebol, é uma caixinha de surpresas.

No primeiro dia de trabalho depois das férias, em abril, e eu lembro como se fosse ontem, um dos donos da livraria aqui do shopping me chamou pra trabalhar com ele, como vendedor.

Ele sabia que em breve eu estaria deixando meu emprego, já havia conversado com ele sobre isso, antes. Sem maiores delongas, me perguntou se eu não gostaria de trabalhar lá. Eu disse que sim, claro, mas eu não poderia aceitar a oferta, pois eu tinha outros planos. Ele falou pra eu pensar melhor e depois conversariamos mais.

E eu pensei. Bem uns 20 dias. Nesse meio tempo, coisas aconteceram, mudaram de rumo. E fui praticamente obrigado a mudar também de rumo: aceitei a proposta.

Pois. Cá estou eu, trabalhando numa livraria, agora. Esses primeiros dias têm sido cansativos, porque estive resolvendo algumas pendências da saída do emprego anterior (o pior é que ainda falta muito o que resolver, pelo visto). Mas em breve as coisas hão de melhorar, se Deus quiser.

Tem sido muito bom trabalhar lá. É uma oportunidade única de ver o mercado dos livros “por dentro”. Finalmente você entende como uma livraria se sustenta, o que realmente vende e o que fica somente enfeitando as prateleiras.

Este é só um post apressado e cansado. Nos próximos dias espero ter mais tempo e paciência para escrever algo melhor aqui.


Sem impressões digitais nem rastros

May 4th, 2008

Se este artigo de Márcia Denser terminasse na frase: “Até porque, com o perdão dos blogueiros, escritor não dá em árvores.”, seria excelente. Eu lincaria o texto aqui no blog com os dizeres: “não deixem de ler”. E pronto, mais nada.

Mas, logo no parágrafo seguinte, ela diz:

“A boa produção escrita entre 90 e 2000 já foi publicada, os bons escritores e poetas já foram revelados, posso citá-los um a um e dizer o porquê, e esses ainda precisam ser lidos, assimilados, julgados pelo público-leitor, pela academia, pelos críticos, pelos outros escritores e o momento é de consolidar posições, etc.”

E isso, meus amigos, é um grande equívoco. Não sei se foi proposital, mas o trecho acima contradiz uma outra parte do mesmo texto:

“Publicou-se demais só pra aproveitar a maré de sorte e como livro não é pastel, publicaram-se bobagens, irrelevâncias ilegíveis, desnecessárias, tinta sobre o papel, alimento para o esquecimento, porque sequer para entretenimento tais textos se prestam.”

Nisso ela está certíssima. Mas ao dizer que “A boa produção escrita entre 90 e 2000 já foi publicada” Marcia esquece de algumas coisas.

Essa rapaziada que foi publicada “entre 90 e 2000″ está chegando nos (perto dos ou passando um pouco dos) 30 anos agora. E, a não ser que você seja um gênio, é terrivelmente difícil, nos nossos dias, escrever qualquer coisa que realmente valha a pena antes dos 25 anos.

Muitos dos que foram publicados “entre 90 e 2000″ não estavam maduros, ainda. Não tinham obras literárias de verdade. Eram mais experimentos, que os editores resolveram publicar para aproveitar o boom de novos autores e a onda dos “escritores de internet”.

“A boa produção escrita entre 90 e 2000″ deveria estar sendo publicada realmente só agora, quando os autores têm obras mais consistentes e de melhor qualidade, teoricamente, claro. Mas o que vemos hoje é milhares de livros publicados naquela época em saldões, esperando algum desavisado comprar. Inclusive o que sobrou daquelas antologias temáticas.

E quem sai prejudicado nisso? Nem tanto as editoras, porque há os best-sellers para compensar os prejuízos, e porque na época elas conseguiram lucrar algum. Quem mais perde com isso são os próprios autores publicados naquela época, que, por causa da enorme quantidade de livros-porcaria que foram lançados, hoje não conseguem publicar suas obras melhor acabadas e mais maduras. Ou mesmo autores inéditos, que preferiram esperar um pouco mais para enviar seus originais às editoras.

Mais que os citados no parágrafo anterior, os autores da minha geração é que foram prejudicados. Porque agora as editoras, e nisso Márcia Denser está coberta de razão, sempre recebem o original de um autor inédito com a maior cautela do universo. É tanta cautela que devem fazer questão de queimar os originais bem longe da sede, pra não dar na vista. Ou amarrar tudo num saco e jogar num rio. E fazem isso com luvas, na calada da madrugada, pra não deixar impressões digitais nem rastros.


Filhos da morte burra

May 3rd, 2008

O excelente disco novo do Detonautas Roque Clube (”O retorno de Saturno“) traz uma música chamada “Ensaio sobre a cegueira”. Quase no fim dela, o poeta Edu Planchêz (de quem eu nunca ouvira falar até comprar o disco) declama uma poesia sua chamada “Filhos da morte burra”. Segue abaixo o poema. Quero escrever sobre o disco, com mais calma. Mas fica aqui a indicação. Discaço. Até o Barbão gostou da música, imaginem!

Jovens
sem nenhuma utopia
caminham tensos pelas ruas de suas casas velhas sem nenhuma luz,
sem nenhuma luz de Fernando Pessoa;
fechados nas sexuais telas da impotência
se masturbam contemplando corpos em decomposição

Norte de minha Fé,
onde estavam o beija-flor e o arco-íris na hora do nascimento dessas criaturas?

Eu entrando na virtuosa idade e eles entrando em idade nenhuma
Quantos raios de flor restam nos corredores dos céus de vossas bocas?
Quais nascentes clamam por seus nomes?

Os filhos da morte burra cheiram o branco pó da anemia,
esqueceram que um dia tocaram na poesia da transgressão
em pleno ventre de suas esquecidas mães;
esqueceram de colar o ouvido ao chão
para ouvir as ternas batidas do coração das borboletas

Os filhos da morte burra,
jamais levantam uma folha para contemplarem o labor dos insetos;
jamais ergueram uma taça de orvalho brindando a vigorosa lua;
Os filhos da morte burra,
desconhecem ou nunca ouviram falar em iluminação;
abrem a boca apenas para vomitar